ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


SÁBADO



Escrito por marcelo montenegro às 07h30
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




RODRIGO DE SOUZA LEÃO

Porra. Acabo de saber, via Espelunca, que o Rodrigo de Souza Leão faleceu. Que triste. Não o conhecia ao vivo, mas vira e mexe trocávamos emails. Quando lancei o Orfanato Portátil, em 2003, ele fez uma entrevista muito bacana comigo, para o site PD-Literatura. Era um puta poeta. Recebi seu último livro, Todos os Cachorros são Azuis, assim que saiu. Pelo post do Ademir Assunção, esse foi um dos últimos textos que ele postou no seu blog. Triste. Triste.

 

 

TUDO É PEQUENO

 

Tudo é pequeno

A fama

A lama

O lince hipnotizando a iguana

 

O que é grande

É a arte

Há vida em Marte 

Rodrigo de Souza Leão



Escrito por marcelo montenegro às 07h26
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Perdi a exibição, esses dias, na Galeria Olido – dentro do In-Edit Brasil – de Jards Macalé: Um Morcego na Porta Principal, dirigido por Marco Abujamra e João Pimentel. Teve até show do cabra na seqüência. Peloamordedeus, isso vai sair em DVD? Vai passar no Canal Brasil? Alguma outra possibilidade deu ver isso? A fissura subiu mais ainda lendo o belo relato da noite pelo brother Rodrigo Carneiro, que esteve lá. Leia aqui. Há um tempo atrás, a Revista Etcetera fez um especial: Os Melhores Discos de Nossas Vidas. Participei com um texto sobre o primeiro do Macalé, que, como para o Rodrigo, também é um dos meus heróis.



Escrito por marcelo montenegro às 11h28
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




“Junto à de Italo Svevo, outra morte admirável, que assegura sua fama de gênio e de figuraça até a sepultura: ‘Se minhas fontes são fidedignas, Buster Keaton teve um final exemplar. Alguém, ao lado de sua cama de enfermo, observou: “Já não vive mais”. “Para saber isso”, respondeu outro, “tem que lhe tocar os pés; as pessoas morrem com os pés frios”. "Joana D’Arc, não”, disse Buster Keaton, e caiu morto.”

[Enrique Vila-Matas, citando Bioy Casares; "El viajero más lento", Anagrama, 1992.] - Via Sorte & Azar S/A



Escrito por marcelo montenegro às 08h40
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Um ano de trampo. Na verdade é mais. Conto a partir da hora em que nós, do roteiro, começamos a trabalhar. Um ano bolando as características de cada personagem, as histórias todas e os 13 roteiros da primeira temporada. É um puta trampo. Pesado. Não só porque te exige muito, e exige, mas porque eu sou assim também. Se topei a parada, vou até o fim. E se o melhor de mim – com o perdão da rima e da breguice – não tá lá, não sossego, a cabeça não para, é uma desgraça. Coisa de doente mesmo.

 

Daí que tenho escrito poucos poemas. Mas na boa. Só pra constar, nesse meio tempo saí em duas antologias: Fomes de Forma (Demônio Negro), organizada pelo Antônio Vicente Seraphim Pietroforte; e XXI Poetas de Hoje em Dia(ante) (Letras Contemporâneas), organizada por Aline Gallina e Priscila Lopes. Tenho uma coletânea misturando meu livro novo – Hemingway Hotel – a algumas coisas do Orfanato Portátil esperando resposta de duas editoras. Se demorarem, lanço por conta própria. Não tenho pressa, mas também não sei direito, nem tenho muito saco, pra lidar com essa parte. Só sei que faz mó cara que eu tô sem livro na mão e isso é uma merda.  

 

Mas voltando à série tem sido uma baita experiência legal. Não só pela minha parte no trabalho e o cotidiano sempre divertido – mesmo nos dias de “empacamento” geral – da sala de roteiristas. Mas também por poder acompanhar de perto o processo todo, descer na edição, ver o primeiro corte de algum episódio, ver os caras trampando na vinheta de abertura, as leituras, as reuniões pra discutir a trilha sonora com o Rodrigo Coelho, produtor musical da série e blablablá.

 

Sempre fui fissurado em televisão. Na mesma proporção, aliás, do quanto acho a TV subaproveitada. Se falar só de canais abertos então, o açougue é geral – e olha que adoro ver umas bostas. Então isso foi bom também. Ter essa primeira experiência com ficção na TV numa produtora que tem uma visão legal, inteligente, esperta, de TV. Uma puta rapaziada talentosa e gente finíssima, em especial os criadores da série, o Rodrigo Castilho – head-writer – e o Luca Paiva Melo – diretor de conteúdo da Mixer. E, bom. Quanto à série, tá ficando bacana pra caralho. Entretenimento honesto, divertido, sofisticado e com uma puta leveza. Tomara que a molecada, e as pessoas de um modo geral, gostem. Eu gosto. Mas agora é com quem for assistir. Até porque tudo que falo aqui, óbvio, é mais que suspeito. 

 

E segunda tem lançamento do Pornopopéia do Reinaldo Moraes na Mercearia. Esses dias eu e o Marião Bortolotto ficamos lembrando passagens do livro e rindo. Falamos também 1) o quanto o livro é de uma literatura absurda, e o quanto o Reinaldo é um escritor fudido, mas que, 2) provavelmente muitos babacas não levarão o livro a sério "vendo" só a putaria da coisa. Mais ou menos como eu falo no meu poema Filme: "algumas pessoas são incapazes de tirar a literatura do sério". Azar o deles. Marcelo Mirisola escreveu sobre o livro aqui.

 



Escrito por marcelo montenegro às 21h23
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Ontem, na estréia de Honey nos Parlapatões, terminando de gravar a luz da peça na mesa, faltando tipo uns 15 minutos pra começar, alguém entra e diz que "caramba, o Michael Jackson morreu!". Que estranho. Na correria pra dar tempo de fazer tudo antes de liberar para o público, não deu pra assimilar direito. Pareceu até meio que uma brincadeira. O Caio, pianista, puxou se não me engano "Wanna Be Starting Something" e o Cabeça, na bateria, e o Rubens K, no baixo, foram atrás. Eles formam o trio que faz fudidamente a trilha ao vivo da peça. Na saída, confirmei a informação, já ouvindo a primeira piada sobre, e, pra completar, fico sabendo que a Farra Fawcett, das Panteras, também morreu. Porra. Mas vamo que vamo. Hoje tem mais Honey, às 21h30. E estréia também, à meia-noite, Análise Comportamental e Crítica da Música Eduardo e Mônica. Pra se esborrachar de rir. Escrevi isso ao som de Off the Wall.



Escrito por marcelo montenegro às 12h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




FESTA BRUTAL

“O Studio SP, de Alexandre Youssef, Maurizio Longobardi e Guga Stroeter, lança dia 22 de junho (segunda-feira) o projeto Studio SP Incentiva que vai apoiar uma peça ou produção de cinema por mês. A estréia (22/06) contempla o espetáculo teatral “Brutal”, com texto e direção de Mário Bortolotto. A festa conta com show da Trupe Chá de Boldo e discotecagem de Tatá Aeroplano e Tutu Moraes. A bilheteria será toda revertida para a produção. Durante a noite serão exibidos longas dos diretores Zé Eduardo Belmonte (Subterrâneos), Lírio Ferreira (Baile Perfumado), Beto Brant (Os Matadores) e Cláudio Assis (Amarelo Manga). A peça tem estréia prevista para setembro”.



Escrito por marcelo montenegro às 10h37
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




WHATEVER WORKS

Woody Allen e Larry David. Comentando sobre isso, um tempo atrás, lá na Mixer, chegamos a definir o fato dos dois juntos num mesmo filme como uma espécie de reunião entre Pelé e Coutinho. Com dúvidas levantadas - e resolvidas, logo na sequência, em prol do cineasta - de quem seria o Pelé e quem seria o Coutinho desse encontro genial.



Escrito por marcelo montenegro às 19h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




SÁBADO



Escrito por marcelo montenegro às 12h16
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




VISIONS OF CODY

“em uma tarde qualquer de 1933 provavelmente enquanto você, aos seis ou sete anos, fazia alguma das inúmeras visões que eu tenho de você em Denver em tudo quanto é época”.

 

“os passantes, que muitas vezes ele nunca tinha visto mais gordos, essa gente se amontoava em volta da nuca dele na velocidade da luz para discutir sem falar, dançando, apontando, até que, quando ele virava a cabeça para trás a fim de dar uma olhada ou devagarinho só para conferir, todo mundo já estava de volta no lugar com aquela hipocrisia demoníaca perfeita e como não poderia deixar de ser e na mesma posição sem graça de antes”.

 

“Pensa só no que isso quer dizer, tenta inverter, assim, imagina que você atribuísse todas as tuas sensações a uma outra pessoa e depois pensasse o que elas pensam a respeito”.

 

“e preciso bater a cabeça contra o vácuo generalizado quando quero explicar alguma coisa para alguém”.

 

Jack Kerouac, porra, sublime, em Visões de Cody – “estou escrevendo este livro porque vamos todos morrer”. LPM, Tradução de Guilherme da Silva Braga. Apresentação do Eduardo Bueno e um texto fantástico do Ginsberg no final.



Escrito por marcelo montenegro às 08h49
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




VEM AÍ

Roteiro e Direção: Mário Bortolotto> Elenco> Eduardo Estrela, Mario Bortolotto, Gabriel Pinheiro, André Ceccato, Wilton Andrade, João Fábio Cabral> Participações Especiais: Jarbas Capusso, Régis Trovão Rodrigues, Lavínia Panunzio, Paulo Picanha de Tharso, Paulo Jordão, Fernanda D´Umbra, Mariana Leme, Katia Gomes Rodrigues, Gustavo Rodrigues Santoro, Murilo Rodrigues Montenegro, Régis Santos, Flávio Vajman, Marcelo Mirisola> Som direto: Marcelo Montenegro> Assistente de som: Walter Batata Figueiredo> Tratamento de som: Gustavo Haddad> Trilha Original: Jorge Jordão> Músicas: Marcello Amalfi, La Carne e Paulo de Tharso> Performances: Marcello Amalfi, La Carne, Tempo Instável e Paulo de Tharso> Direção de Arte e Cartaz: André Kitagawa> Direção de Fotografia e Câmera: Edson Kumasaka> Assistência de fotografia e Iluminação: Gustavo Haddad> Assistente de Iluminação: Régis Santos> Making off: Douglas Kim> Still: Roberto Sousa> Montagem: Gustavo Haddad e Marcelo Montenegro> Assistência de Direção e Continuidade: Adriano Vanuchi> Assistência de Produção: Mariana Leme> Direção de Produção: Fernanda D´Umbra> Produção: Grupo Cemitério de Automóveis



Escrito por marcelo montenegro às 10h56
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Dizer que a paixão implica em perda da razão não parece correto. Talvez seja mais apropriado dizer que a paixão carrega uma outra razão. A paixão, para mim, é como a leitura de um poema. Ou nos arrebata ou não é poesia. Nem paixão. A paixão é como uma palavra, num poema, uma palavra que busca uma rima. Quando duas palavras se beijam, nasce a poesia. Para mim, a paixão tem a ver com aquela "realidade ficcional" na qual estamos imersos quando lemos um romance: uma suspensão temporária do descrédito do mundo e do outro.

 

Rodrigo Garcia Lopes



Escrito por marcelo montenegro às 18h08
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




MODERN TIMES

Porra. Que disco legal é o Rock´n´Roll, do Erasmo. Tô ouvindo direto. Bateu a mesma sensação da primeira vez que ouvi Modern Times, do Dylan. Dois mestres curtindo uma leveza. Simples. Sofisticada. Em tempos de cinismo total – muitas vezes forçado –, em que, fodeu, nada mais dá pé, nada como caras assim apostarem alto num misto comovente de inteligência e "ingenuidade".

 

Óbvio, cada um na sua. Mas fico pensando nessas coisas. O Truffaut fez O Homem que Amava as Mulheres e Noite Americana enquanto o Godard "pirava" cada vez mais. Domingos Oliveira fez Todas as Mulheres do Mundo enquanto todo o Cinema Novo virava um palanque. No auge dos anos de chumbo, poucos soltaram berros como os de Roberto e Erasmo em Se você Pensa ou Sua Estupidez. Ou como os de Jorge Ben em Se Manda

 

Engraçada essa coincidência. Ouvindo o novo do Erasmo e lendo Pornopopéia do Reinaldo Moraes. Ouço Olhos de Mangá, do Tremendão, lembrando que ninguém descreve as mulheres, na literatura, como o Reinaldo: entre o patético e o poético, o pé na jaca e o sublime. Lembro de uma – se não me engano em Umidade – cujos seios apontavam pra cima como dois golfinhos saltando juntos da água.

 

No Pornopopéia, mais algumas pérolas. Olha essa: “A camiseta regata que ela vestia, preta, curtíssima, exibia os tufinhos pilosos de cada suvaco, além de uma faixa de barriga enxuta mas não chapada, dessas de bacalhôa de academia. Nada disso. A dela dispunha de um tênue revestimento de gordura que chegava a formar um pneuzinho lírico quando sentava”. Genial.



Escrito por marcelo montenegro às 13h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PORNOPOPÉIA

“Será um filme sem trama explícita, sem htichcockadas suspensóides. Vou só encadear os fatos, um depois do outro, e pronto. Não tenho mais gosto por esse arsenal de ganchos que visam deixar o espectador pendurado pelo saco na fornalha da ansiedade. Faz tempo que não tenho, aliás. Basta ver o Holisticofrenia, que rodei há uns 10 anos, sem recorrer a verba oficial, ou renúncia fiscal, nem porra nenhuma do tipo. O pouco que gastei veio do bolso do cunhadão. A única renúncia no filme foi à lógica. Simplesmente, catei a minha Sonynha digital, chamei meia dúzia de malucos que não estavam fazendo picas naqueles dias e saí filmando por aí. Quase não editei nada. Só cortei as seqüências nas pontas, pra não ficar um troço de 10 horas de duração. Virou uma enxurrada de “imagens em desespero celebrando o caos da vida”, como apregoava o cartaz do filme. Nada de culpas corrosivas nem de castigos iminentes em cinemascope. Nada de quase nada, aliás”.

 

[(Reinaldo Moraes, in Pornopopéia, Objetiva). Cara, ninguém bota a vida dentro de um livro como o Reinaldão. “Porra, às vezes desconfio que não aprendi nada com a vida. No resto das vezes tenho certeza disso”. Puta figura. Puta escritor. Puta livro. Não consigo parar de ler.]



Escrito por marcelo montenegro às 09h41
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




HOJE



Escrito por marcelo montenegro às 08h09
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog