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TORDESILHAS
Pra quem tiver a fim, logo mais, às 18h30, leitura no Parlapatões dentro do projeto Tordesilhas: Marcelo Montenegro (Brasil), Bruna Beber (Brasil) - que também participa às 14h00, na Caixa Cultural, da mesa Territórios e Linguagens na Web -, Douglas Diegues (Brasil) e Elizabeth Neira (Chile). Clique aqui pra ver programação completa de hoje do festival.
Escrito por marcelo montenegro às 10h27
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GOODFELLAS

A FESTA DE ABIGAIU de Mike Leigh > TRADUÇÃO: Ester Laccava e Élcio Hardt > DIREÇÃO: Mauro Baptista Vedia > ASSISTENTES DE DIREÇÃO: Platão Capurro e André Carvalho > ELENCO: Ana Andreatta, Eduardo Estrela, Ester Laccava, Fernanda Couto e Marcos Cesana > ILUMINAÇÃO: Marcelo Montenegro > SONOPLASTIA: Mauro Baptista Vedia (adaptado de Mike Leigh) > PRODUÇÃO DE ÁUDIO: André Carvalho > FOTOS: João Caldas > PRODUÇÃO EXECUTIVA: Alexandre Lacava > REALIZAÇÃO: Laccava Produções Artísticas.
Reestréia hoje. Londres, 1977. Um bando de personagens estranhos, melancólicos, engraçados pra caramba. Puta elenco fantástico e quem já assistiu sabe o que eu tô falando. A partir de hoje até dezembro, todas as quintas, às 21h00, no Teatro Augusta (Rua Augusta, 943, Cerqueira César, 3151-4141). Después, saio de lá, lasco um Robertão no toca-fitas e vou pra cá: "Não seriam cartas de amor não fossem ridículas, no serian poemas líricos no fueran bregas...". Continua aqui, no Impostor.
Escrito por marcelo montenegro às 10h16
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A CIGARRA

Hoje rola o lançamento do número 42 da Cigarra, edição comemorativa de 25 anos da revista, editada pela dupla imbatível Jurema Barreto de Souza e Zhô Bertollini. Porra. 25 anos. A Cigarra e o entorno todo – Alpharrabio e bares próximos – representa, da minha parte – e, tenho certeza, também de Tarso de Melo, Kleber Mantovani e Fabiano Calixto e lá se vão quase 15 anos... - um, digamos, primeiro esboço de convivência literária, “todos esses poetas tentando ser poetas, mostrando seus esboços uns aos outros, pensamento escatológico secreto” (Kerouac).
Participam deste número uma porrada de gente, Glauco Mattoso, Tom Zé, Augusto de Campos, Hélio Néri, Cláudio Daniel, Avelino Araújo, Dalila Teles Veras etc etc (ficha completa aqui).
Serão dois lançamentos: o primeiro, hoje, a partir das 18h00, na livraria Alpharrabio (Rua Eduardo Monteiro, 151, altura do número 1000 da Av. Portugal, 4438-4358) e no sábado, 10/11, a partir das 19h00, na Casa da Palavra (Praça do Carmo, 171, centro, 4992-7218), ambos em Santo André.
O Zhô e a Jurema me pediram um texto sobre esses 25 anos pra sair na revista e eu escrevi isso aqui:
Se não me engano – “Memory Almost Full”, já ouviu esse disco Zhô? – a Cigarra foi o primeiro lugar que publicou alguma coisa minha. Lá em meados dos anos 90, quando, como diria o Peninha, tudo era apenas uma brincadeira. Não que hoje não seja; talvez mais do que lá, quando conheci um bando de gente bacana: Fabiano, Tarso, Kleber, Dalila, Maninha, Nora e, claro, Zhô e Jurema. Eu e meu amigo Marcelo Capanema fazíamos um fanzine chamado Ruptura e foi mais ou menos por isso que chegamos ali. Cigarra, Alpharrabio e a padaria na esquina da Portugal onde nos empanturrávamos de cerveja, pizza de mussarela aperitivo, Rimbaud, Cabral, monturos, projetos, projetos, projetos. É legal pensar que de alguma forma eu saí dali. Vida longa a esta cigarra singela e inquieta que vive arranhando canções no peito dos dois, Zhô e Jurema, um puta beijo, Marcelo Montenegro.
Escrito por marcelo montenegro às 08h47
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ENCONTROS

Gosto pra caramba de entrevistas com escritores e criadores em geral. OS ESCRITORES, com entrevistas históricas da Paris Review, lançado em dois volumes pela Cia das Letras, se não me engano, no final dos 80, como diria meu amigo Douglas Kim, tão sempre por aqui, em algum lugar.
Costumo dizer que até na TV, às vezes, abstraio o entrevistador quando dou de cara com alguém que me interessa sendo entrevistado. Semana passada o Pereio na Luciana Gimenez foi das coisas mais engraçadas da semana. Mesmo caso das biografias. Abstraio a escrita irritantemente cronológica – ah... as Crônicas do Dylan... –, enciclopédica, minimamente detalhada como nem o deus mais realista do final do século XIX conseguiria. O livro do Garrincha, por exemplo, do Ruy Castro – que ao lado do Fernando Chatô Morais consagrou, digamos, este filão – comprei assim que saiu. As do Nelson Rodrigues e Chega de Saudade são bacanas e também fiquei a fim de dar uma sapeada neste último, sobre jazz, que ele, Ruy, publicou há pouco.
Voltando: pra quem estiver no Rio, hoje tem lançamento da Coleção Encontros, da Azougue Editorial, do amigo Sergio Cohn. Release: “é uma coleção de livros de entrevistas com grandes artistas e pensadores brasileiros, cada um com um livro individual reunindo as melhores entrevistas de sua trajetória”. Os primeiros volumes trazem Vinicius de Moraes, Darcy Ribeiro, Jorge Mautner, Rogério Sganzerla e Milton Santos.
“Tem de tudo, de entrevista do Vinicius para o Otto Lara Rezende e para a Clarice Lispector, passando por uma conversa de Caetano e Mautner em 2001 sobre o 11 de setembro [essa me assusta um pouco], Gilberto Gil entrevistando o Milton Santos, a clássica entrevista do Sganzerla para o Pasquim, onde ele rompe com o Cinema Novo [sou fã do Sganzerla e esse volume e especificamente esta entrevista justificam toda uma coleção] e um depoimento de Darcy no exílio sobre tortura e o desaparecimento dos índios”.
“O lançamento vai ser na Pizzaria Piola, em Ipanema, Jardim de Alá, rua Paul Redfern, 44. Vai ter canja de Mautner e convidados especiais e exibição do filme Brasil, do Sganzerla, com João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil”. Cada volume custa R$19,90 e o lançamento aqui em SP parece que será em novembro.

E pra quem estiver aqui, em SP, começa hoje o Tordesilhas – Festival Ibero Americano de Poesia Contemporânea – com uma porrada de poetas de vários países. A abertura será às 18h30, na Caixa Cultural (Grande Salão – Térreo), com a mesa de abertura Nosotros Latinoamericanos com Roberto Echavarren (Uruguai), Horácio Costa (Brasil), Victor Sosa (Uruguai/México), Alfredo Fressia (Uruguai) e Efraín Rodríguez Santana (Cuba). A mediação é de Cláudio Daniel que é o curador do projeto ao lado de Virna Teixeira – programação completa aqui.
Participo na sexta, às 18h30, nos Parlapatões, Praça Roosevelt, lendo poemas com o brother Douglas Diegues – é sempre bom encontrar o astronauta paraguayo, figuraça e quem já viu o cara lendo sus textos di espierma y cybalena sabe que é imperdível –, a grande poeta e amigaça e mais nova carioca na terra da garoa Bruna Beber, e Elizabeth Neira, poeta chilena.
Escrito por marcelo montenegro às 08h12
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HOJE
Escrito por marcelo montenegro às 07h52
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Koproski, Wilson Bueno, Travessa dos Editores. Ao começar escrever esse post sobre minha participação na RadioCaos – onde me permitirei um pequeno exercício de egolatria – me toco que essa volta do blog tá curitibana pra cacete – abraço Jotaeme! RadioCaos é um puta projeto que envolve, entre outros, a rapaziada do Beijo AA Força – Homem de Ferro “um homem se conhece pelo tamanho da ferradura” é um clássico (http://youtube.com/watch?v=7tUEnMeB6VU) – lendária banda cujo naipe de comparsas passa por Marcos Prado e Thadeu Wojcechowski.
No ar já há algum tempo, é um programa semanal que mistura poesia com música – atualmente vai ao ar todos os domingos, das 19h00 às 21h00 pela 91 Rock (91,3 Mhz). A seleção e a edição são de primeira e o projeto conta com um baita acervo de poesia, dita pelos próprios poetas. De qualquer lugar, quando passam pela cidade – Mario Bortolotto, Chacal e Ademir Assunção estão entre os camaradas que já deixaram suas pegadas por lá – e também, lógico, pelos poetas de Curitiba que tem um lance fortíssimo de poesia falada, vide, por exemplo, o Porão Loquax, que rola (ou rolava, não sei) toda terça-feira, no Wonka Bar, que eu fiz com os brothers Rubens K no baixo e Carlão na guitarra no mesmo dia em que o Rodrigão – guitarra/voz do Beijo AA Força, mó prazer conhecer o cabra – pilotou o estúdio da RadioCaos me entrevistando e gravando os poemas.
O projeto tem um site que pelo que sei em breve será reformulado com os programas mais recentes incluídos para dowload. Num dos últimos – há umas três semanas – rolaram vários poemas meus. No de hoje rola Jazida (no site a programação completa).
Isso me lembrou quando o Carlão Reichenbach, durante uma de suas Sessões do Comodoro, no CineSesc, enquanto falava dos filmes que passariam no dia, deixou projetado na tela meu poema
Matinê
Às vezes saio do cinema
E me ponho a andar
Cartografias pessoas
Apenas olhar
Ter a leve impressão
De que a cidade está grávida
De um outro lugar
(in Orfanato Portátil, Atrito Art Editorial, 2003)
Eu não tava, vi só depois quando ele postou uma foto no Reduto. Mas devo confessar que ver meu poema ali, estampado na telona... Assim: pode parecer besteira, mas é do caramba, pra alguém como eu, 1) fissurado em música, ter sua poesia “tocada” no rádio. E não num programa específico de literatura, mas em ótimas seqüências que vão de Oasis a Premê, Originais do Samba a Elvis Costello sem contar clássicos como Bandeira, Quintana e Drumond que sempre comparecem. E, para alguém como eu, 2) fissurado em cinema, poder dizer, como um bobo, mesmo brincando que um dia tive um poema que “passou no cinema”, porra... é do caralho.
Jazida
E veio você toda habilidosa
Com o ioga da sedução
Qual vampira
Com seus lábios de larica
Enfiando a mão
Numa cavidade imaginária
Do meu peito
E de lá foi arrancando
Polaroids de espuma
Úlcera da paixão
Bruma e ódio o cio
E eu perdendo sangue
Vendo vida florescendo
Vendo-me vazio
E de lá foi arrancando
Identidades e fumaça
Mil amores já na carcaça
Cachaça e pedras e pedras
E bitucas de cigarro
E baganas de catarro
Você e seu faro
Jazida de uma noite
Que delira – desespero
Por onde a beleza respira
(in Orfanato Portátil)
Escrito por marcelo montenegro às 10h19
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