ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


Nelsinho Peres, Christine Vianna, eu, Mariana Leme, Flavinho Vajman, Luiz Roberto Guedes, Marião Bortolotto e Pierre Masato. Abaixados: Fabi, Claudinei Vieira, Bactéria, Douglas Kim e Ricardo Carlaccio. Durante o último Desconcertos do ano na Roosevelt. Brincamos com o Bactéria (na foto sofrendo um atentado lingüístico do Kim) que essa foto podia virar uma daquelas folhinhas com uma fonte brega em itálico dizendo “o Sebo do Bac deseja a todos os seus clientes um feliz 2008”. Como diz o Flavinho, é muito tranqueira numa foto só. Falando em Bactéria, o cabra acabou de adquirir 20 exemplares do Orfanato Portátil. A Chris, da Atrito, diz que os resgatou de consignações antigas etc. Então o que tava esgotadaço até a pouco ganhou uma sobrevida de 20 livros. Pra quem tiver a fim, maiores informações aqui.   

E tá no ar a nova Lasanha do brother MaickNuclear.



Escrito por marcelo montenegro às 14h43
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Paulo “Picanha” de Tharso e eu by Obturador

Meu amigo Paulo de Tharso, que há pouco tempo fez um pocket show inesquecível na virada da Casa das Rosas, durante o Desconcertos do Claudinei Vieira, com participações minha e do Marião Bortolotto além do Fábio Brum na guitarra e do Pagotto no baixo, acaba de verter meu poema Matinê para a língua de Truffaut. Aliás o cara, segundo as más línguas, caso alguém se interesse, é um puta professor de francês. Apesar da minha quase que total ignorância nesses tempos perdidos de Proust, ficou bonito pra caramba. Abraço Picanha.

 

Matinée

Par fois, je sors du cinéma

Alors, j ´en marche

Je cartographe des gens

Juste que regarder

C´est tout qui je fais

Il y a l´impression

Que la ville est en sainte

D´un autre lieu.

 

Matinê

Às vezes saio do cinema

E me ponho a andar

Cartografias pessoas

Apenas olhar

Ter a leve impressão

De que a cidade está grávida

De um outro lugar.

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Por fim, queria dizer que esse poema também tá espalhado por aí num projeto muito bacana do Ricardo Silveira, o Poesia Fora. Saiba mais aqui.



Escrito por marcelo montenegro às 11h03
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“Anabolizado ao máximo pelas táticas e pelo preparo físico, o jogo vem mudando um pouco de figura, atenuando seus componentes anárquicos e tendendo à exacerbação de seus aspectos mais previsíveis. No fundo, o desafio aqui é o mesmo da arte. Disfarçada de permissiva, vivemos uma época obsessiva pelo controle, ainda que o controle, muitas vezes, seja obediência tática, desempenho, pró-atividade, boa administração”.

Nuno Ramos (santista como yo, semana passada, na Folha)

O Paulo Henriques Brito tem um poema chamado “Geração Paissandu”, com um verso do caralho: “Fui jovem, com a sede de todos,/ em tempo de seco fascismo./ Por isso não tive pátria, só discos”. Transfiro o mesmo raciocínio para o futebol. Sou santista, mas sempre admirei outros times, jogadores. Uma pátria que vai de Platini a Pita. Assisti dia desses um documentário sobre a Hungria de 54 e o Puskas não só deve ter sido um puta jogador como foi uma grande figura. Batemos uma bola semana passada e, depois, no churrasco, desfilamos aos gritos uma galeria de craques e jogadas, do gol genial do Sócrates contra a Itália em 82 à várzea particular e lírica de cada um.      

Tive o privilégio de acompanhar uma geração fudida de jogadores argentinos. Maradona é o maior jogador que vi jogar. Cresci assistindo campeonato italiano no Show do Esporte e virei quase que um torcedor do Nápoli. Dieguito e Careca: puta-que-o-pariu. A maior ligação que tenho com meu pai é o futebol. Virei santista por causa dele e conversar sobre futebol equivale a um tipo de sentimento que não comunicamos de outro modo. Acho que herdei o silêncio dele (e, espero, um quinto da dignidade). Mas o que eu quero dizer é que meu pai não só manja pra caramba como assistiu muito jogo na vida. Viu, só para citar um exemplo ilustre, Santos e Milan no Maracanã em 1963. Para ele, depois do Pelé, “é o Maradona mesmo. O único que chega mais ou menos perto, mas não chega, é o Rivelino” – por coincidência o grande ídolo do argentino.   

 

Claro que acho o Ronaldinho Gaúcho fantástico. Mas “só” isso, uma espécie de harley-globtotter. Nunca vou esquecer, uma vez jogando bola, numa dessas misturas que só o futebol proporciona. Ambos os times combinavam “caras que sabem jogar” com “pernas-de-pau”. Um dos “caras que sabem jogar” do nosso time passou o jogo todo fazendo firula, mais interessado em querer mostrar que “sabe jogar” do que em jogar, travando o jogo, perdendo um gol atrás do outro. Até que outro “cara que sabe jogar” – por sinal, muito mais do que aquele – chega e diz que se “sabe jogar”, “joga simples” “CARALHO!”. Então. Se um cara espetacular como o Ronaldinho Gaúcho se dignasse a “jogar simples” poderia entrar na roda dos grandes. Justamente porque um jogador espetacular jamais vai ser “simples”. Mas não, ele parece, o tempo todo, menos preocupado em jogar do que querendo provar que é espetacular.

 

Pra quem joga sinuca, sabe que o chute do Batistuta equivale a fuzilar a caçapa com o taco pegando em baixo da branca. Em 94 a Argentina tinha um timaço – Maradona gritando contra a babaquice do mundo depois de um golaço – e o jogo contra a Nigéria provavelmente está entre os maiores jogos de copas. No Japão/Coréia, por conta do fuso, quando estava em casa e dormia cedo a única seleção para a qual regulava o despertador além do Brasil era a Argentina. Sim, torço para o Brasil contra a Argentina, fiquei puto em 90 com aquele gol do Caniggia – outro baita atacante – mas acho uma tremenda bobagem esses caras que torcem contra os hermanos em qualquer situação. Vou generalizar. Esse tipo de cara lembra aquele que humilha garçons e afins, fecha os vidros do carro até o talo e se indigna com figuras inúteis como um Renan Calheiros julgando-se politizado. Como estou num texto, podia fazer uma liga entre estes e aquele “mais interessado em querer mostrar que ‘sabe jogar’ do que em jogar”, mas são tipos diferentes e o mundo está cheio deles.

O Tom Jobim gostava de contar uma história sobre o Ari Barroso, que chegou pra ele uma vez dizendo que quando fez “Aquarela do Brasil”, alguém falou “mas Ari, que história é essa de coqueiro que dá coco? É claro que um coqueiro só pode dar coco!”. Ari: “Não, você não entendeu...”. De toda forma – Nuno Ramos de novo – “o saudosismo não é a resposta; como disse o Wilson Batista num samba famoso, ‘Meu mundo é hoje’. O jogo está sendo jogado e as chances de vitória são muitas”.



Escrito por marcelo montenegro às 12h06
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FELIZ NATAL

http://www.youtube.com/watch?v=lIZaW8E0hI0



Escrito por marcelo montenegro às 13h04
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Ia começar o post com um “antes que eu me esqueça”. Mas lembro que “Antes que eu me esqueça” é o título de um filme do Jairo Ferreira – tô lendo suas críticas da época do São Paulo Shinbum que saíram há algum tempo pela Imprensa Oficial – feito nos anos 70, em super-8, registro de uma leitura de poemas com o Willer, o Biccelli e o Piva (que rouba a cena, sensacional...). Rolam participações musicais da dupla Mautner/Jacobina e do Macalé sentado numa privada. A propósito ontem passou no Entrelinhas – se não me engano reprisa na quinta – a matéria sobre as três rodadas de Populares que fizemos no Sesc Consolação. Legal essas ligações. Lembrar desse filme e pensar na gente, agora, ali no palco, não comparando, mas também fazendo “samba e amor até mais tarde” (substitua, claro, samba por literatura, por rock´n´roll). Eu já escrevi sobre isso: “Algumas pessoas acabam se encontrando e é como se conhecessem desde sempre etc etc.”. Mas voltando ao “antes que eu me esqueça”. Tá encartado na Trip e na Tpm desse mês uma espécie de libreto, bancado pela Rayban, chamado REVEAL, sobre “artistas independentes”. Esse é o terceiro, sobre escritores. Os dois primeiros foram com cineastas e músicos. Além de mim, estão na parada João Paulo Cuenca, Índigo, Marcelino Freire, Andrea del Fuego, Daniela Abade, Clara Averbuck, Bruna Beber, Marçal Aquino, Mario Bortolotto, Santiago Nazarian e Xico Sá. No mais, feliz natal e blablablá. Sabe como é. Apesar de meu fuso horário ter mudado radicalmente desde que virei pai – dizia na época que parecia que eu tinha me mudado pro Japão (abraço Randall!) – eu continuo tendo, ora vejam só, "muito sono de manhã".

 

 

 

Da esquerda para a direita, Ian, filho do Ademir Assunção e os meus, e da Kátia, Gustavo e Murilo. A foto é da Dani, no mesmo lugar onde logo logo degustaremos alguns manjares do inferno em companhia do mestre Demon, quer dizer, Dany Boy.



Escrito por marcelo montenegro às 11h07
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SONETILHO DE VERÃO

 

Traído pelas palavras.
O mundo não tem conserto.
Meu coração se agonia.
Minha alma se escalavra.
Meu corpo não liga não.
A idéia resiste ao verso,
o verso recusa a rima,
a rima afronta a razão
e a razão desatina.
Desejo manda lembranças.

O poema não deu certo.
A vida não deu em nada.
Não há deus. Não há esperança.
Amanhã deve dar praia.

Paulo Henriques Britto

(em Trovar Claro)

Escrito por marcelo montenegro às 11h51
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GIN CRÔNICA

“Mostrou-me a cicatriz que lhe atravessava as linhas da palma da mão, como se com ela tivesse alterado qualquer leitura possível deste mapa que o tempo invariavelmente anota. Segurei seu pulso com a gravidade necessária a não assustar um animal acuado, e lentamente explorei-lhe a textura e a temperatura. Mais que comparar, quis igualar nossas marcas. Querendo achar intersecções nas nossas dores e dali tirar razões para mais um alumbramento. “Você já ficou alumbrada?”. “Se soubesse o que isso significa, te responderia”. “É como ficar iluminado por algo”. “Ou por alguém”, compreendeu. O silêncio e o olhar de viés responderam a pergunta. Não é seguro querer alinhar o que se deseja com o que se sente. O melhor é admitir que quase sempre é uma questão de conquistar e não se deixar conquistar. Manobrar até a armadilha”.

[do blog Gin Crônica (título legal...), do Alexandre Salles, brother de Floripa que conheci no ano passado quando veio passar um tempo em SP com o grande Nilo Oliveira, o cara que sabe tudo sobre a “arte de atravessar fantasmas”. Falando nisso você não vem esse ano Nilo? Suas passadas por aqui entre natal/ano novo já fazem parte do calendário oficial da praça. Grande abraço.]



Escrito por marcelo montenegro às 11h43
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