ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


HOJE

Tape 

 

Texto Stephen Belber> Direção Mário Bortolotto> Com Pedro Guilherme, Marcelo Selingardi e Carolina Fauquemont> Sexta e sábado às 21h30 domingo às 20h até 29/06> Teatro Sérgio Cardoso Sala Paschoal Carlos Magno Rua Rui Barbosa, 153, 3288-0136> Ingressos R$ 10 a R$ 20



Escrito por marcelo montenegro às 10h15
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Gosto muito de fotografia. Aquele lance do “instante decisivo”, do Cartier Bresson, é uma das minhas referências fundamentais. E o brother Carlos Carah postou no bostumana umas fotos do Hunter Thompson, inclusive várias dos Hell Angels, provavelmente durante o mosh que o cara deu no tema de um de seus livros. Aqui.



Escrito por marcelo montenegro às 17h36
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A Neuza Pinheiro é uma grande amiga e uma baita poeta. E é música, compositora, cantora. Caralho, como canta a Neuza. Não esqueço a primeira vez que ouvi a voz dela em Filho de Santa Maria no Intercontinental do Itamar Assumpção. A Neuza que encantou, por exemplo, Hermeto Paschoal quando ele foi jurado de um festival universitário em Londrina (PR) nos anos 70. A Neuza que ganhou o prêmio de Melhor Intérprete no histórico Festival da TV Tupi de 1979, por Sabor de Veneno, do Arrigo Barnabé e que por uma série de motivos acabou voltando pro Paraná pouco antes do cara entrar em estúdio pra gravar o mais que clássico Clara Crocodilo.  

 

Toda essa história, aliás, que começou em Londrina com os primeiros passos da Neuza, dos irmãos Denise e Itamar Assumpção e Arrigo e Paulo Barnabé, entre outros, e desaguou em SP, no começo dos 80, naquilo que ficou conhecido como Vanguarda Paulista, encontra-se fudidamente registrado – iconograficamente inclusive – no livro Na Boca do Bode: Entidades Musicais em Trânsito, do meu amigo Fábio Henriques Giorgio. Obrigatório pra quem se interessa pelo assunto.   

 

Como diz Rodrigo Garcia Lopes, a Neuza – que com toda essa bagagem somente há pouco conseguiu gravar um disco solo, Olodango – tem “uma das vozes mais viscerais que já ouvi”. Convivemos muito, nós três mais o Ademir Assunção, enquanto ela gravava sua participação no disco do Rodrigão, Polivox. Se não me engano, uns anos antes, ela também botou umas vozes no disco do Marião, Cachorros gostam de Bourbon.

 

Isso pra dizer que amanhã e depois – 01/05, às 19h, e 02/05, às 20h – a Neuza apresenta, no Sesc Pompéia, Profissão de Febre – Peça por peça, espetáculo/projeto que vem fazendo há algum tempo com músicas suas para poemas de Paulo Leminski. Ela canta e toca violão e conta com a companhia fudidaça do Tonho Penhasco, que além de puta guitarrista e gente finíssima é outra figura lendária dessa história toda.



Escrito por marcelo montenegro às 13h08
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REGISTRO

Eu e o Chacal, em foto de Claudinei Vieira. Se não me engano, estamos os dois, depois de termos feito um dueto de Desabutino, vendo Fábio PagotoRick VechioneFábio Brum – Chacal disse (assino embaixo) que gostaria de escrever do mesmo modo como ele faz soar sua guitarra – fechando o Tranqueiras Líricas, madrugada, sábado pra domingo, 2008, Casa das Rosas, SP.

 

 

Pagoto (meio corpo, à esquerda), Brum, Rick e eu em ação

 

E, Claudinei, meu velho, mais uma vez, valeu pelas palavras, tamo junto. E pra quem tiver a fim de conferir, tem mais fotos, não só dos tranqueiras, mas também do Desconcertos Eróticos que o Claudinei fez com o Xico Sá, o Glauco Matoso e o Luiz Roberto Guedes. Aqui.

  

 

Desabutino

quem quer saber de um poeta na idade do rock
um cara que se cobre de pena e letras lentas
que passa sábado a noite embriagado
chorando que nem criança a solidão

quem quer saber de namoro na idade do pó
um romance romântico de cuba
cheio de dúvidas e desvarios
tal a balada de neil sedaka

quem quer saber de mim na cidade do arrepio
um poeta sem eira na beira de um calipso neurótico
um orfeu fudido sem ficha nem ninguém para ligar
num dos 527 orelhões dessa cidade vazia

 

Chacal, 1975

 

 

Postal

 

Daqui a 30 anos, digamos,
que alguém leia este poema.
Todos os pequenos laços
que o ligam ao mundo
fora dele e à vida de um
poeta fudido entre milhões
de pessoas lugares motivos
não estarão mais aqui para socorrê-lo.
Daqui a 30 anos a coisa
será somente a coisa mesmo.
Uma cápsula amputada do tempo,
um bife arrancado do amor.

 

Marcelo Montenegro, 2007



Escrito por marcelo montenegro às 11h12
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