ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


HOJE ESTRÉIA

"Você nunca viu nada igual". Provavelmente um dos textos mais absurdos e engraçados da história do teatro universal. Quer dizer: imperdível e pra variar belo cartaz do Kitagawa.



Escrito por marcelo montenegro às 11h19
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CASEIROS DO PRÓPRIO ESPANTO

Escrevi uma crônica para a edição de abril da Globo Rural. É meio que uma série que a revista tem feito com escritores contemporâneos relatando sua ligação com o campo. Aproveitei o convite para homenagear algumas pessoas e, sobretudo, o amigo e grande ator Nelson Peres, cujo espetáculo Querência me fez sair comovido do teatro Fábrica no ano passado.

 

 

CASEIROS DO PRÓPRIO ESPANTO

 

 

Um viajante retorna para sua casa e para sua infância, na beira do Tietê, por conta de uma desilusão amorosa. O reencontro com a memória “Vô, é verdade que cuspir no fogo seca a boca?”–, o fortalece para seguir viagem, “viver no movimento, sem começo”.

 

Essa é a história de “Querência”, monólogo com o ator paulistano Nelson Peres. Dirigido por Roberto Lima, é baseado na obra de Cornélio Pires (1884-1958) – natural de Tietê, cidade onde Nelson também viveu –, com pequenos excertos de Nhô Bento. Segundo Assis Ângelo, “misto de poeta, contador de casos e humorista, Cornélio era uma espécie de showman da cultura caipira”.

 

Evocado por bolinhos de chuva e pelos discos do Barnabé deixados pelo meu avô, terminado o espetáculo, subi a Rua da Consolação em direção ao metrô na Avenida Paulista. De algum modo, eu era o viajante da peça.

 

Numa passagem do livro “On the Road”, de Jack Keroauc, o narrador – que parte para o oeste em busca da pureza do homem americano que, no fundo, é uma busca pelo oeste de si mesmo – conhece uma garota numa cidade de beira de estrada. Ela diz do seu sonho de ir para a cidade grande: “aqui não acontece nada”. E ele: em Nova York também não”.   

 

Penso em uma amiga que após a morte do pai foi cuidar de sua fazenda em Paranavaí (PR). Na primeira de várias estadas por lá – quando levei um baile de uma égua e vi a lua mais bonita da minha vida –, surpreendeu-me como ela se integrara às coisas rurais. Penso também nos que vêm para a metrópole, midnight cowboys, crocodilos dundees, com a vivência dos pequenos logradouros. Itamar Assumpção – conterrâneo de Cornélio Pires –, chegou a cantar, por exemplo, que “São Paulo é o meu sertão”.

 

Talvez tenha a ver com Jorge Luís Borges: “o homem que se desloca modifica as formas que o circundam”. Com Mário Quintana: “Não importa que a tenham demolido/ A gente continua vivendo na velha casa em que nasceu”.

 

É que lá no fundo, na quermesse dos sentidos, menos que o lugar, o que fica, para mim, são as pessoas. De Rio Claro, o avô de um amigo. Desses que “põem milênios em cada palavra” (Raduan Nassar), com histórias fascinantes de assombração. De Betim (MG) – onde passei a infância, com direito a pés de manga e jabuticaba no quintal –, a dona Ângela, que levava no rosto um mapa de rugas e vincos desenhado pela vida. Do Jardim Bonfiglioli, bairro paulistano encravado entre a USP e a Raposo Tavares, o seu Fernando, que zanzava pela vizinhança consertando um cano de pia aqui, um chuveiro ali, fazendo um calço pra solidão acolá.

 

Tabaréus, eremitas urbanos, caseiros do próprio espanto. Não esqueço do Raul, em Itu, que chamávamos assim por ser metido a filósofo e lembrar o Raul Seixas. Uma vez, no bar, ele soltou: “a vida é um oceano onde o naufrágio navega”. Assim, do nada. Perguntei o que queria dizer e ele, no seu esperanto bêbado, falou que aquilo “não era de se explicar, só de sentir”.

 

Com sua autenticidade comovente, o universo de “Querência” – com seus Zé-Venâncios, Chico-Gabriéis e Vicentinas –, transcende a si mesmo para se tornar simplesmente humano, pra lá de qualquer sotaque: “Eu trúxe pra mecê este docinho,/ impetecádo ansim, imbruiadinho,/ nesta páia de mio.../ Mas antes de cumê/ magine bem o que ele qué dizê!/ Fáis de conta que tô le dando o coração/ que inté se açucarô.../ Doce de tanto amô!” (Nhô Bento).

Naquele dia, a caminho de casa, como sempre estrangeiro e sem jeito, entrei no metrô, “no movimento, sem começo”, como um caipira do mundo.



Escrito por marcelo montenegro às 15h25
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BEDROCK COLLECTION

Thiago, Fabio, Fefê e Martim, formação do Cascadura na época

 

Postei o vídeo no youtube e acometido por uma gripe pra lá de espanhola não consegui escrever sequer uma linha pra não botá-lo aqui a seco. Mas eis que Fernanda D´Umbra e Mário Bortolotto – anfitriões da brincadeira e da própria Bedrock – já o descobriram e postaram em seus respectivos blogs. Então é isso: num oferecimento Batata, Negão, Feijão e Branquinho, é com prazer que anuncio a progressiva e preguiçosa abertura dos arquivos da lendária e mui prestigiosa Bedrock Vídeo. Mukeka Cascadura ou Cento e Duzentos anos de Moqueca e Jazz integra a série Road Clips Culinários, que, espero - a idéia era essa, há 5 anos atrás -, conte, nos próximos programas, com Reinaldo Morais e La Carne – vamo aí Fernanda?  



Escrito por marcelo montenegro às 14h21
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Pra quem tiver a fim, segunda-feira, na Coletivo Galeria, rola a terceira edição de Poetas na Galeria. Quem comanda a parada é a Ester Laccava, grande amiga e puta atriz – que, aproveitando, encerra hoje temporada fudida de A Festa de Abigaiu no Cultura Inglesa – e os brothers Bactéria e Claudinei “Desconcertos” Vieira.

Participam, além deste que vos digita, outros brothers and sisters, entre escritores e músicos: Fábio Brum, Marcelo Watanabe, Flavio Vajman, Mário Bortolotto – que deve fechar a noite com pocket show da Saco de Ratos Blues -,  Pierre Masato, Paula Klaus, Luana Vignon, Ricardo Carlaccio, Fabiana Faleiros e Sergio Mello.



Escrito por marcelo montenegro às 14h14
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