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HOJE

Vocabulário é o nome do evento idealizado pelos escritores Chacal e Paulo Scott, com a curadoria de Marcelino Freire, Marcelo Montenegro e Gabriel Pinheiro, especialmente para o Espaço Cultural B_arco Virgílio.
Na sua primeira edição serão seis horas ininterruptas preenchidas por intervenções nas quais se privilegiará a palavra falada, os muitos sotaques e jeitos pelos quais ela é dita e reinventada no Brasil.
Escritores, atores, cineastas, roteiristas, músicos, filósofos, malabaristas, disc-jóqueis, dramaturgos, bailarinos, ilustradores e grafiteiros se revezarão no palco em oito blocos diferentes, oito maneiras diferentes de jogar com palavras e também com suas mais inusitadas sonoridades.
Um circo, um parque de diversões, um trem fantástico, onde a atração principal será o vocabulário.
ARTE DO CARTAZ: André Kitagawa
CONVIDADOS ESPECIAIS:
Virna Teixeira> Gero Camilo> CarOlina Manica> Claudinei Vieira> André Sant'anna> Andréa Del Fuego> Amarildo Anzolin> Bruna Beber> Daniel Galera> Daniel Minchoni> Fernanda D’Umbra> Fernanda Siqueira> Flávio Vajman> Malásia> Maria de Lourdes Ferreira Alves> Mário Bortolotto> Lirinha> Laura Leiner> Luana Vignon> Luciana Penna> TainÁ Muller> Ana Rüsche> Ale Marder> Analu Andrigueti> Fabrício CorsalettI> Paula Cohen> Paulo Pessoa> Sergio Mello> TOny Monti
SERVIÇO: VOCABULÁRIO> Dia 24 de maio de 2008 (Sábado)> A partir das 17h> Entrada Franca> Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto 426> Pinheiros – SP> Fone: 3081-6986
Escrito por marcelo montenegro às 19h32
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Manja o Tela Class do Hermes e Renato? Essa peça absurda já brincava com isso uns 10 anos antes. Alessandro “Robocop” Bartel indescritivelmente imbecil como Coiote, um Maxwell Smart que nunca sabe o que dizer "nesses momentos idílicos", um atentado ultrajante à seriedade com qualidade mais que duvidosa, misto de Beckett e Costinha, aqueles filmes em que o panaca é confundido com alguém importante.
Escrito por marcelo montenegro às 12h00
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Mesa de luz do Ruth Escobar, por Claudinei Vieira
Faz um tempo que não tenho assistido aos jogos de quarta-feira por conta de quase sempre estar trabalhando. A peça com a qual estou em cartaz agora, operando luz e som, é O Natimorto – Nilton Bicudo genial – com direção do Mario Bortolotto que adaptou fudidamente o romance do Lourenço Mutarelli. Fica esperto que têm mais duas apresentações apenas, terça e quarta da semana que vem, 21h30, nos Parlapatões, Praça Roosevelt. Quando não estico a noite e a cerveja, ainda consigo pegar em casa alguma repercussão da rodada no Sport Center da ESPN Brasil. Aliás, dia desses, o Antero Greco – figuraça – foi buscar alguém ou assistir alguma peça no Ruth Escobar. Se eu não fosse, de um lado, terrivelmente tímido e, de outro, achar isso meio constrangedor, chegaria nele: “pô, cara, muito bom você e o Amigão no Sport Center”. Pois os dois acabam de ganhar uma concorrência de peso: o novo Cartão Verde da Cultura com Xico Sá e Doutor Sócrates – um dos meus ídolos, apesar de santista, e, pelo que eu saiba, como ele. Não engato conversa alguma com alguém que ache que o Raí foi melhor que o Sócrates. Nesse embate, menos que Sócrates e Raí – que, óbvio, não era nenhum perna-de-pau – o que está em jogo é toda uma visão de futebol, de mundo, muito além de qualquer Corinthians e São Paulo. Ontem consegui ver o final e o Xico – meio acanhado no primeiro programa, ao menos pra quem o conhece e já conversou com ele nalguma madruga sobre futebol, tomando uma cerveja, como eu já tive o privilégio – tava impagável. De quebra, ainda peguei na seqüência um Grandes Momentos do Esporte totalmente inesperado com compactos de um Botafogo (Jairzinho e Paulo César Caju) e Cruzeiro (Dirceu Lopes esmerilhando) de 1969 e um Palmeiras e Internacional de 1976 com um puta golaço, de primeira, do Falcão. Voltando ao Xico: porra, como é bom ver alguém matar no peito e levar, com humor refinado, anárquico e, como diria meu amigo e companheiro de ataque Negão, uma puta “catega” a discussão sobre futebol pra bem longe dessa retranca careta e politicamente correta do caralho que virou não só a discussão, mas, em muitos sentidos, o próprio futebol. Bote então o fio de bigode do épico do Xico pra tabelar com a elegância ácida do doutor – ele já soava assim jogando – e pronto. Imagino a cerva dos cabras depois do programa. Eu gosto do Murici Ramalho. Como técnico, mas, sobretudo, como “hombre”. Suas coletivas estão entre as raríssimas que são “assistíveis” – e bota raríssimas nisso. É o Trajano dos técnicos e vice-versa. Gosto desses ranzinzas engraçados que saem do lugar comum, sem firula. Quando o Cristiano Ronaldo – ótimo jogador, mas “menos cabrón, menos” – deu aquela paradinha pedante, eu tive, não bem certeza, mas torci pra ele perder o pênalti. O Manchester jogou melhor no primeiro tempo e só. O resto do jogo incluindo os dois tempos da prorrogação foi do Chelsea, pra quem o jogo me levou a torcer apesar de, no geral, quando as engrenagens tão a mil, deslizando que é uma beleza – não estavam ontem – gosto mais do futebol do Manchester. Acho que é naquele filminho da Amelie Polán que a narração em off diz que não sei quem “gosta” de ver “esportistas chorando de decepção”. Foi foda ver o Terry perder aquele pênalti. Justo ele que além de um baita zagueiro e aquela pinta de dignidade na cara salvou de forma incrível um gol, se não me engano, do Giggs. Acontece que por mais que o futebol, e principalmente um jogo como esse – com direito a abertura enfadonha tipo Copa e Olimpíada –, tenha definitivamente virado um mega-comércio generalizado, tem um instante em que, lá dentro, entre os 22 que tão em campo, o treco vira um contra da rua de cima com a rua de baixo. É por isso – foda-se o entorno – que o futebol sempre será emocionante. Indo embora do teatro, depois de sorver uns goles de conhaque e seleta com os brothers Sergio Mello e Marcelo Mirisola, parei num boteco com a TV ligada. Queria saber quanto tava Fluminense e São Paulo. Nem deu tempo de perguntar: gol do Washington aos 40 e muitos do segundo tempo. Bem na hora que entrei. Não vou fugir do lugar comum: foi bacana ver o Washington chorando depois e, mais ainda, associar seu choro ao do Terry. Corrigiu meu dia. Como, na transmissão da tarde, os closes do Bob Charlton corrigiam os do russo mafioso do Chelsea. A rua de baixo e a rua de cima. A pipa menos pênsil. Que bonito é.
Escrito por marcelo montenegro às 12h11
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Play
Escrito por marcelo montenegro às 09h57
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A Virna Teixeira, que organizou, ao lado do Claudio Daniel, o Tordesilhas – Festival Ibero Americano de Poesia, que rolou em SP em outubro de 2007, registrou uns trechos da leitura que fiz com o Flavio Vajman nos Parlapatões. Tem um pedaço do Buquê de Presságios e outro do Filme.
Buquê de Presságios
De tudo, talvez, permaneça
o que significa. O que
não interessa. De tudo,
quem sabe, fique aquilo
que passa. Um gerânio
de aflição. Um gosto
de obturação na boca.
Você de cabelo molhado
saindo do banho.
Uma piada. Um provérbio.
Um buquê de presságios.
Sons de gotas na torneira da pia.
Tranqueiras líricas
na velha caixa de sapato.
De tudo, talvez, restem
bêbadas anotações
no guardanapo.
E aquela música linda
que nunca toca no rádio.
(in Orfanato Portátil, Atrito Art Editorial, 2003)
Filme
Você pede para eu apertar o pause
E vai ao banheiro
Deixando ao meu lado
Seu cheiro quente
No travesseiro amassado.
Penso por um segundo
No texto que fiquei de escrever
Para uma revista de literatura.
“Se é possível conciliar experimentalismo formal
E lirismo na poesia”.
Ouço sua bunda
Desgrudar-se da tampa
Que bate seca
E levemente na privada.
A descarga, a torneira ligada,
Imagino uma grande seqüência.
– A preguiça tem algo de comovente nos dias úteis.
Você volta ao quarto dizendo
Tá me dando uma fome
Enquanto rimos da pose engraçada
Que o ator parou.
Antes de apertar o play
Chego a esboçar que algumas pessoas
São incapazes
De tirar a poesia do sério.
(in Hemingway Hotel, a sair)
Escrito por marcelo montenegro às 09h04
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A LÓGICA DA FRANGA ENCURRALADA
“Calligaris erra feio quando usa Ronaldinho como isca. Quis puxar a sardinha para o seu lado. Até aí, tudo bem. Eu também puxo a sardinha para o meu lado. Sou manipulador, tenho minhas opiniões e adoro confundir as pessoas, e distorcer os fatos. Me divirto com isso, mas deixo muito bem claro que se trata de um artifício. Não defendo teses. Acredita quem quiser”. - Bom pra caramba o texto desta semana do Marcelo Mirisola no Congresso em Foco.
Escrito por marcelo montenegro às 20h30
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