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SÁBADO

Como disse o Joca num comment aí embaixo, ultimamente quem vem aqui tem dado de cara com um monte de revólver, hehe. Agora é do brother Ricardo Carlaccio, que lança seu livro novo, A última ficha na Jukebox, sábado, no Cidadão do Mundo, na 4.a. edição CIDADÃO ARTE CLUBE. O Mirisola também tará por lá lançando seu Proibidão, editado pela Demônio Negro. Vai rolar também a exibição dos curtas Assalto de Diomedio Piskator e A Decadência do céu e a Beleza do inferno, de MaickNuclear. Pra fechar, Show Experimento PROSOTYPO – Coletivo Poesia Maloqueirista – Caco Pontes, Berimba, MaickNuclear e Bebeto Cica´s. A entrada é R$5,00 e o Cidadão do Mundo fica na rua Rio Grande do Sul, 73, Centro, São Caetano do Sul.
Escrito por marcelo montenegro às 08h39
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NO MAIS
Sem tempo, cansado, tudo certo. Podia contar um milhão de coisas dessa passagem por Londrina. Do Mauricio Arruda Mendonça, no meio de um debate do Armazém, ao me descobrir na platéia, comentando minha barba branca com uma mímica. Devolvo outra descrevendo sua cabeça também toda ocupada pelos cabelos brancos. Ele, grande amigo, grande escritor e dramaturgo do grupo, na mesa. Eu, no fundão, entre uma conversa com outro grande brother e poeta, Marcos Losnak, e um cigarro lá fora, esperando acabar o debate pra dar um abraço nele. Bernardo e Maria Angélica: vocês têm algum tipo muito poderoso de humanidade e a Dodó tá indo pelo mesmo caminho, o dela. Já sabia disso desde os tempos de Cão sem Dono naquela Vila Madalena antiga, mas, como diria Galvão, a “lei natural dos encontros” desta vez reforçou tudo de um modo muito fudido. Acabou Chapa Quente na terça e fui direto pra rodoviária. O sono e o cansaço monstruoso não deram nenhuma chance d´eu tentar gostar do novo do Radiohead. Ontem mais um dia inteiro dentro de um teatro. Bate uma saudade danada dos meus filhos embora, quando os revejo, a sensação é de que eu não consigo traduzir direito essa coisa enorme pra eles. E o amor se mistura aqui dentro com alguma modalidade de tristeza, que na real nem sei se é tristeza, de um jeito bom, ruim, inexplicável. No fim da peça de ontem, a Fernanda D´Umbra, emocionada, disse pro Domingos Oliveira, que subiu ao palco, o quanto o admirava e que jamais esperava um dia tê-lo na platéia de uma peça sua, quanto mais de uma peça dele dirigida por ela. Amanhã caio pra Brasília logo cedo com o Natimorto do Mutarelli. Vou lotar o MP3 de Nat King Cole e Roy Orbinson, acho que já passei da fase de dar chances. Um trecho de “Um homem: Klaus Klump”, do Gonçalo Tavares, que matei no avião indo pra Londrina: “Nos momentos importantes ser-se mais revelado por uma linguagem que não nos pertence em exclusivo, e que é propriedade, desde há milhões de anos, da natureza: como tal facto parecia estranho a Klaus...”. Tem aquele lance do Itamar Assumpção: “descobri que viver cansa mesmo vivendo na França/ mesmo indo de avião”, mas a sensação de fazer bem o que tem que ser feito é do caralho. E, Fernanda, nunca imaginei, também, que um dia meu nome e o do Domingos fossem parar na mesma ficha técnica. Não tenho tido tempo nenhum pra poesia, foda-se, ela sai daqui. No mais, amo minha mulher, odeio barra de cereais, sou péssimo anfitrião de mim mesmo, acho que duchas de hotel estão entre as maiores invenções da humanidade e que “We can work it out” com o Stevie Wonder é tão bom quanto com os Beatles.
Escrito por marcelo montenegro às 14h11
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