ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


Dizer que a paixão implica em perda da razão não parece correto. Talvez seja mais apropriado dizer que a paixão carrega uma outra razão. A paixão, para mim, é como a leitura de um poema. Ou nos arrebata ou não é poesia. Nem paixão. A paixão é como uma palavra, num poema, uma palavra que busca uma rima. Quando duas palavras se beijam, nasce a poesia. Para mim, a paixão tem a ver com aquela "realidade ficcional" na qual estamos imersos quando lemos um romance: uma suspensão temporária do descrédito do mundo e do outro.

 

Rodrigo Garcia Lopes



Escrito por marcelo montenegro às 18h08
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MODERN TIMES

Porra. Que disco legal é o Rock´n´Roll, do Erasmo. Tô ouvindo direto. Bateu a mesma sensação da primeira vez que ouvi Modern Times, do Dylan. Dois mestres curtindo uma leveza. Simples. Sofisticada. Em tempos de cinismo total – muitas vezes forçado –, em que, fodeu, nada mais dá pé, nada como caras assim apostarem alto num misto comovente de inteligência e "ingenuidade".

 

Óbvio, cada um na sua. Mas fico pensando nessas coisas. O Truffaut fez O Homem que Amava as Mulheres e Noite Americana enquanto o Godard "pirava" cada vez mais. Domingos Oliveira fez Todas as Mulheres do Mundo enquanto todo o Cinema Novo virava um palanque. No auge dos anos de chumbo, poucos soltaram berros como os de Roberto e Erasmo em Se você Pensa ou Sua Estupidez. Ou como os de Jorge Ben em Se Manda

 

Engraçada essa coincidência. Ouvindo o novo do Erasmo e lendo Pornopopéia do Reinaldo Moraes. Ouço Olhos de Mangá, do Tremendão, lembrando que ninguém descreve as mulheres, na literatura, como o Reinaldo: entre o patético e o poético, o pé na jaca e o sublime. Lembro de uma – se não me engano em Umidade – cujos seios apontavam pra cima como dois golfinhos saltando juntos da água.

 

No Pornopopéia, mais algumas pérolas. Olha essa: “A camiseta regata que ela vestia, preta, curtíssima, exibia os tufinhos pilosos de cada suvaco, além de uma faixa de barriga enxuta mas não chapada, dessas de bacalhôa de academia. Nada disso. A dela dispunha de um tênue revestimento de gordura que chegava a formar um pneuzinho lírico quando sentava”. Genial.



Escrito por marcelo montenegro às 13h35
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PORNOPOPÉIA

“Será um filme sem trama explícita, sem htichcockadas suspensóides. Vou só encadear os fatos, um depois do outro, e pronto. Não tenho mais gosto por esse arsenal de ganchos que visam deixar o espectador pendurado pelo saco na fornalha da ansiedade. Faz tempo que não tenho, aliás. Basta ver o Holisticofrenia, que rodei há uns 10 anos, sem recorrer a verba oficial, ou renúncia fiscal, nem porra nenhuma do tipo. O pouco que gastei veio do bolso do cunhadão. A única renúncia no filme foi à lógica. Simplesmente, catei a minha Sonynha digital, chamei meia dúzia de malucos que não estavam fazendo picas naqueles dias e saí filmando por aí. Quase não editei nada. Só cortei as seqüências nas pontas, pra não ficar um troço de 10 horas de duração. Virou uma enxurrada de “imagens em desespero celebrando o caos da vida”, como apregoava o cartaz do filme. Nada de culpas corrosivas nem de castigos iminentes em cinemascope. Nada de quase nada, aliás”.

 

[(Reinaldo Moraes, in Pornopopéia, Objetiva). Cara, ninguém bota a vida dentro de um livro como o Reinaldão. “Porra, às vezes desconfio que não aprendi nada com a vida. No resto das vezes tenho certeza disso”. Puta figura. Puta escritor. Puta livro. Não consigo parar de ler.]



Escrito por marcelo montenegro às 09h41
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HOJE



Escrito por marcelo montenegro às 08h09
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PARCERIAS

Ademir, eu e Fernanda. Rindo da chegada triunfal do grande Walter Batata Figueiredo.

Aqui, uma palhinha do que rolou ontem no Parcerias, que teve como convidados eu e a Fernanda D´Umbra, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Foi muito bacana o bate papo mediado pelo Ademir Assunção. Depois a Fábrica de Animais fez um puta show. Participei falando meu poema Espantalho Descarado, já com a banda tocando a cozinha de Que Loucura, do Sergio Sampaio, que a Fernanda emendou lindamente assim que acabei o poema. Pena que a bateria do celular da Kátia arriou – como ela mesma anuncia durante a filmagem –, e não deu pra chegar ao final, com a Fernanda misturando o último verso do poema – “eu ando mijando no poste/ porque o banheiro está sempre lotado” – com a canção do Sampaio. Não é por nada não. Mas Fernanda: ficou bonito pra caralho o poema e a música juntos.

 

Aproveitando pra mandar um abraço pros brothers maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus. Eles tavam por lá ontem e me presentearam com a última edição da Não Funciona. Saiu uma espécie de mini-antologia minha com seis poemas – entre novos e feridos – na sessão Eleito Vivo. Valeu rapaziada. Mó honra. 



Escrito por marcelo montenegro às 19h40
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