ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


DESCOLADOS THE END

Hoje à 01h15, e amanhã, às 23h, reprisa o último episódio de Descolados, primeira série de ficção da MTV, que foi também a primeira produção de fora da MTV a entrar na grade do canal (a série foi feita pela Mixer), que foi também minha primeira experiência em escrever ficção para a TV. E foi do caralho. Fiquei bem feliz com o resultado, com os comentários dos amigos que acompanharam e com a repercussão legal que a série teve. Enfim, enfim. Deixo pra vocês um texto que o Cássio Koshikumo – já falei dele aqui – escreveu no seu blog na terça, antes da primeira exibição do último episódio.  

 

All over now

E aí que amanhã, terça-feira, 6 de outubro, às 23h30, na MTV, vai passar o último episódio da primeira temporada de Descolados.

Puxa vida.

Entrei no projeto em agosto de 2008. A Lud chamava Luli, a Nara não existia, a Henri François não existia, o Teco era webdesigner. Ninguém sabia como os três protagonistas iam se conhecer e passar a morar juntos. Ninguém sabia o que ia acontecer a partir do segundo episódio.

Rodrigo Castilho, Luca Paiva Mello, Marcelo Montenegro, Fernanda D´Umbra e eu sentávamos numa micro-sala estilo aquário, no meio da Mixer, para inventar tudo isso. Como o Teco ia parar na barraca de cachorro-quente? Por que o Felipe ia pra balada depois de tomar um pé na bunda? Uma viagem até Londres demora 12 horas; então a primeira cena do Teco tem que ser no dia 1, e a segunda no dia 2. Mas aí a história do Felipe não encaixa! Quem mais trabalha no clube da Lud (Luli!)? Tá, agora eles tão morando juntos; e agora? e agora?

Vai por mim, fazer um negócio desse dá muito mais trabalho do que parece.

E agora acabou, pelo menos por enquanto. A série deu certo. A reação de quem assistiu foi supimpa. Os comentários na internet, incríveis. Nas ruas, milhares de fãs ensandecidos fizeram passeatas para declarar seu amor pelas personagens; minha vida, antes pacata e singela, agora está repleta de propostas de casamento e calcinhas enviadas pelo correio, e tenho que andar na rua cercado por cinco seguranças e snippers nas janelas para me proteger da turba apaixonada que me cerca e– Não, não, brincadeira. Ninguém nem sabe que diabos é um roteirista.

Mas a série deu certo.

E tudo bem que não dá pra ficar citando todo mundo que participou e tal – porque o post ia ficar 1. muito longo (só pela sala de roteiro, eu contei, passaram 14 pessoas) e 2. muito chato, e nenhuma das duas coisas é bacana –, mas deixa eu só falar também do Fabio Danesi Rossi e da Paula Szutan, que nos salvaram várias vezes quando estávamos chorando desesperados em posição fetal porque não conseguíamos andar com uma história.

Então é isso. Assistam lá ao último episódio, que eu já vi e que está sensacional.

Cassio Koshikumo



Escrito por marcelo montenegro às 12h02
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BRUTAL

Semana passada fui à estréia de Brutal. Parlapatões lotadaço. Eu sou amigo do Mario Bortolotto, autor e diretor da peça. Conheço, convivo e trabalho com o Marião praticamente desde que ele chegou a São Paulo, 1996, 1997. O Mario é mais que um amigo. Aprendi a operar som e luz, a criar trilha e iluminação assistindo e trabalhando nas peças do Cemitério de Automóveis. E ali, na estreia, me dei conta de que eu não tava na cabine de operação técnica de uma peça do Mario depois de muito muito tempo. Enquanto fumava um cigarro lá fora, ouvi vários “ué, você não tá lá em cima?”, “você vai assistir da platéia”? De modo que foi emocionante estar lá, por si só. Eu sou amigo do Batata também. Mais que amigo. Eu e o Batata somos amigos, sei lá, há 30 anos. O Batata, por exemplo, era o cara “da vila” que compartilhava comigo esse papo furado de poesia. Ele é um dos grandes culpados por eu escrever. Já raspando os 40 anos de idade ele decidiu se aventurar nessa de ser ator. Eu sabia que ele seria um ótimo ator. E ele arriscou e foi com tudo. Hoje mais pessoas sabem que ele é um puta ator simplesmente porque é ele mesmo que tá ali, com a porra da sua vida toda socada lá dentro. Então, ver ele abrindo a peça foi, por si só, emocionante também. Fora isso – até pra eu parar de constranger os brothers e a mim mesmo – sou amigo da Marthinha, da Manu, da Erica Puga, do Laerte Mello – que tão bem para caralho – e de praticamente todo o elenco. E aí alguém pode achar que eu não posso falar bem da peça porque sou suspeito. Lógico que sou, mas quem não é?, como diria o Tavares. O imparcial é um canalha, como diz o Marcelo Mirisola. Que, aliás, no prefácio que fez para o livro do Nilo Oliveira, fala mais ou menos isso. Que ele, sendo amigo do Nilo, chegaria ao mesmo lugar que alguém com “distanciamento” também chegaria: o fato de que o livro do Nilo é um puta livro. Brutal é uma puta peça. Das mais punks do Mario. E das mais complexas. Imagino que o Marião deva ouvir um monte de comentários estranhos depois. Muito fácil alguém levar a compreensão dessa peça para outro lado. Para vários lados. Para um milhão de lados. Muito fácil as pessoas levarem a compreensão de qualquer coisa para qualquer lado na hora que bem entenderem. Acho que o texto fala um pouco, e muito, disso também. Sei lá. É como se o Mario tivesse feito uma espécie de estudo sobre o fanatismo, qualquer fanatismo – “gente vazia pode ser muito perigosa” (é foda isso, né? essa frase). Tensa, soturna, engraçada, pesadaça. Sem contar, lógico, o clima fudido marcado pela iluminação e pela trilha sonora. E disso, por conta de tudo que escrevi aí em cima, eu posso falar de camarote.



Escrito por marcelo montenegro às 17h18
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QUEM QUER SABER DE UM POETA NA IDADE DO ROCK?

 

Faz um tempo que faço esse, vá lá, espetáculo. Já fiz em vários lugares e com várias formações. Só com guitarra; com piano, guitarra e gaita; com baixo e guitarra e, na última vez, durante a virada cultural, na Casa das Rosas, fiz pela primeira vez com o clássico formato rock´n´roll de baixo, guitarra e bateria. Tinha um pouco de medo de fazer com bateria, achando que minha voz seria facilmente encoberta – afinal não sei cantar, só falo meus poemas. Mas meu amigo e parceiro Fabio Brum me convenceu do contrário. E ele tava certo. Essa apresentação – Casa das Rosas lotadaça – foi provavelmente das melhores e mais emocionantes que já fiz. Ainda tive a baita honra de, no fim, o Chacal subir no palco pra fazermos juntos seu, pra mim, mais que clássico poema Desabutino: “quem quer saber de um poeta na idade do rock”...

 

Gosto pra caralho de fazer o Tranqueiras Líricas. Consigo administrar mais ou menos o frio na barriga enquanto não cato o microfone pra dizer o primeiro verso e acho mesmo que meus poemas, ditos com música, ficam bem perto de tudo o que quero dizer com eles. 

 

Então isso é a primeira chamada. Um convite – sem contar esse puta flyer bacana que meu amigo Fabio Henriques Giorgio fez (valeu, brother!). Dia 17 de outubro, Tranqueiras Líricas na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, às 18h30. Com a mesma formação daquela apresentação na Casa das Rosas. E isso é muito, muito foda. Fabio Brum na guitarra. Fabio Pagoto no baixo. Rick Vecchione na bateria – quase que uma sucursal da Saco de Ratos do Marião Bortolotto. Vou voltar ao assunto. Mas, desde já, apareçam.



Escrito por marcelo montenegro às 11h47
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