ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


BUQUÊ DE PRESSÁGIOS

De tudo, talvez, permaneça

o que significa. O que

não interessa. De tudo,

quem sabe, fique aquilo

que passa. Um gerânio

de aflição. Um gosto

de obturação na boca.

Você de cabelo molhado

saindo do banho.

Uma piada. Um provérbio.

Um buquê de presságios.

Sons de gotas na torneira da pia.

Tranqueiras líricas

na velha caixa de sapato.

De tudo, talvez, restem

bêbadas anotações

no guardanapo.

E aquela música linda

que nunca toca no rádio.

 

É deste poema, que está no meu livro Orfanato Portátil (Atrito Art Editorial, 2003) – espero relançá-lo, junto com meu novo, em breve –, que saiu a expressão que dá nome às minhas leituras acompanhadas por música, como a que farei logo mais, às 18h30, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Além do time fudido de músicos que estará comigo no palco sob a batuta de Fabio Brum, devo contar ainda – dependendo de horários etcs – com as possíveis e especialíssimas participações de Fernanda D´Umbra, Sergio Arara e do grande Chacal.



Escrito por marcelo montenegro às 12h14
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AH MURILO MENDES

 

A linha do horizonte

Passa pelos teus cílios

 

(in Certa Mulher, As Metamorfoses)

 

O homem que não viu seu amigo chorar

Ainda não chegou ao centro da experiência do amor

 

(in O Rato e a Comunidade, Poesia Liberdade)

 

A mulher do fim do mundo

chama a luz com um assobio

 

(in A mulher do fim do mundo, O Visionário)

 

As nuvens jogam boxe

 

(in Anonimato, Os Quatro Elementos)

 

É muito difícil esconder o amor

A poesia sopra onde quer

 

(in Parábola, Os Quatro Elementos)

 

Os sábios sonham

Que estão mudando Deus de lugar.

 

(in Parábola, Os Quatro Elementos)

 

Escrevo para me tornar invisível,

Para perder a chave do abismo.

 

(in A Fatalidade, Mundo Enigma)

 

Os loucos desdobram

toalhas de sonhos.

 

(in As Penas do Vento, As Metamorfoses)

 

Ninguém sabe onde terminam

Os caminhos de incêndio

Em que é gostoso dormir.

 

(in Poema Deslocado, Mundo Enigma)

 

Cai a cidade

Das prateleiras do céu.

 

(in A Vida Cotidiana, As Metamorfoses)

 

O Gilberto Gil diz que quando ouviu pela primeira vez o disco Samba Esquema Novo, do Jorge Ben, teve vontade de parar com tudo só pra ficar cantando Jorge Ben. Eu tenho vontade de parar com tudo só pra ficar citando versos do Murilo Mendes. Dedico o post ao meu amigo Douglas Kim, que compartilha comigo a admiração pelo cabra.



Escrito por marcelo montenegro às 11h42
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TRANQUEIRAS LÍRICAS

Ontem, antes de começar a ensaiar o que vamos fazer no sábado, o Fabio Brum me mostrou o Bukowski descendo as escadas da sua casa. A filmagem era da Linda e ele já tava no final da vida. Depois vi Tom Waits e Bono Vox dizendo poemas do velho safado. Poemas de cortar o coração. Que dão uma vontade filha da puta de fazer o que tem que ser feito. If you’re going to try, go all the/ way./ Otherwise, don’t even start. Foda, foda. As imagens são do documentário “Born into this”, que o Marião Bortolotto gravou para o Brum. Não tem legendas e o Brum foi traduzindo conforme víamos. Depois fomos ensaiar. Tenho um puta orgulho dessa parceria minha e do Brum. Antes de subirmos pro seu ap, ficamos tomando umas cervejas no bar. Conversando sobre a vida e dando várias risadas. E isso tudo vai para as tranqueiras que escrevo e pra música que o Brum faz pra cada uma delas. E o Chacal - mó honra - escreveu sobre essa parceria. Do caralho.

 

o marcelo, todos conhecem. um cineasta verbal. cada verso, um fotograma ácido.

o marcelo é um antilírico. quase um cabral, se cabral gostasse de vinagrete.

já o fábio brum tem uma característica interessante. ele ensinou a guitarra a falar.

então sábado todos lá para ver o marcelo levando um lero com a guitarra do brum.

tomara que dê pra mim.

Chacal

 

 

 

 

 

Como já disse uma vez, mui sabiamente, meu amigo Paulo Scott, “blog é ponto de venda”. Então é isso. Sábado, às 18h30, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, vamos lá fazer o Tranqueiras Líricas. Com possível participação dos também parceiros & brothers & sisters da Fábrica de Animais, Fernanda D´Umbra e Sergio Arara. A entrada é na faixa e estão todos convidados.



Escrito por marcelo montenegro às 16h32
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NO RIO



Escrito por marcelo montenegro às 14h47
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Sou totalmente a favor do separatismo. Gostaria não só que São Paulo se separasse do resto do país, como gostaria que meu bairro se separasse do resto de São Paulo. E que meu prédio se separasse do resto do meu bairro. E que meu apartamento se separasse do meu prédio.> Fabio Danesi Rossi



Escrito por marcelo montenegro às 17h03
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