AH MURILO MENDES

A linha do horizonte Passa pelos teus cílios (in Certa Mulher, As Metamorfoses) O homem que não viu seu amigo chorar Ainda não chegou ao centro da experiência do amor (in O Rato e a Comunidade, Poesia Liberdade) A mulher do fim do mundo chama a luz com um assobio (in A mulher do fim do mundo, O Visionário) As nuvens jogam boxe (in Anonimato, Os Quatro Elementos) É muito difícil esconder o amor A poesia sopra onde quer (in Parábola, Os Quatro Elementos) Os sábios sonham Que estão mudando Deus de lugar. (in Parábola, Os Quatro Elementos) Escrevo para me tornar invisível, Para perder a chave do abismo. (in A Fatalidade, Mundo Enigma) Os loucos desdobram toalhas de sonhos. (in As Penas do Vento, As Metamorfoses) Ninguém sabe onde terminam Os caminhos de incêndio Em que é gostoso dormir. (in Poema Deslocado, Mundo Enigma) Cai a cidade Das prateleiras do céu. (in A Vida Cotidiana, As Metamorfoses) O Gilberto Gil diz que quando ouviu pela primeira vez o disco Samba Esquema Novo, do Jorge Ben, teve vontade de parar com tudo só pra ficar cantando Jorge Ben. Eu tenho vontade de parar com tudo só pra ficar citando versos do Murilo Mendes. Dedico o post ao meu amigo Douglas Kim, que compartilha comigo a admiração pelo cabra.
Escrito por marcelo montenegro às 11h42
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