ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


MAIS JAZZ

 

não é vergonha alguma
ser sentimental demais
eu gosto de você assim
olhando lá fora
pra esse lugar que sempre foge
de nós
eu gosto de repetir
que a melhor das paisagens
é você
debruçada sobre a tarde
que já foi embora

não é uma lembrança
é um presságio
não é uma ausência
é uma prece

que mal pode fazer
a nós dois
ouvir outra vez
a mesma música?
não é um lamento
é uma descoberta
não é só mais um dia
que retorna
são todos os dias
amontoados
num mesmo momento

 

Lalo Arias

http://www.laloarias.blogspot.com/ 

 

[Lindo esse poema. Não conhecia o Lalo. Dica do meu amigo Nilo Oliveira]



Escrito por marcelo montenegro às 10h11
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




SHORT CUTS

 

“Quem não for geômetra, não entre” (frase escrita na entrada da Academia de André Lhote, um dos mestres de Henry Cartier-Bresson). Bono Vox, falando sobre Bob Dylan: “Você esperava dos artistas uma transformação, uma espécie de superação a cada álbum, a cada música. Com Dylan você tinha uma transformação a cada frase”. Uma vez John Lennon entrou no estúdio e George Martin estava tocando Ravel. Lennon disse que não conseguia compreender aquilo “porque as linhas melódicas eram longas demais e que via a composição musical como a criação de fragmentos, que depois são unidos”.

 

“Alguém me contou anos atrás sobre um lançador de um grande time que sempre quis ser lançador de beisebol. O pai disse para ele, que foi criado numa fazenda: ‘Sempre que estiver parado, pega uma pedra e tenta acertar uma folha de grama, tenta acertar um raminho’. E isso faz muito sentido para mim” (Woody Allen). “Plantação de minhocas na cabeça”, como diria a Lulina.

 

Paul McCartney “tinha uma disciplina inata que funcionava como uma espécie de freio, algo que muitos de seus contemporâneos teriam feito bem em imitar. Miles relembra uma ocasião em que McCartney o acompanhou até uma apresentação de Cornelius Cardew e do AMM no Royal College of Art, em 1966, e embora ‘entendesse seus sérios propósitos’, ele disse ao organizador, ‘foi muito longo’” (Clinton Heylin, in “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band: Um ano na vida dos Beatles e amigos”).

 

Miles: “No que lhe dizia respeito, Paul colocava tudo aquilo na mesa e usava quando era apropriado para a música dos Beatles (...) Você podia se alimentar das idéias de John Cage, Cornelius Cardew e Albert Ayler, mas tinha que digeri-las primeiro; ao passo que John, acho eu, era um pouco o tipo do cara que cospe tudo sem digerir. Yoko lhe falava sobre alguma coisa, e, no dia seguinte, no estúdio, ele fazia sua versão daquilo”.

 

“24th Party People”, de Michael Winterbottom, começa com o primeiro show dos Sex Pistols em Manchester, em 04/06/1976. Tinha 42 pessoas na platéia. Entre elas, os caras que fundariam o Joy Division. E Tony Wilson, que apresentava um programa de TV na época e fundaria a Factory. Quando ele chega à TV no dia seguinte ao show, ele comenta com alguém: “Eu diria que foi histórico”. “Como, histórico? Havia apenas 42 pessoas no show”. “E daí? Quantos havia na Santa Ceia?”

 

"Escrever é uma espécie de embate entre o John e o Paul que cada um carrega dentro de si" (Marcelo Montenegro). "Mais que isso: se o homem vai morrer, por que a Natureza plantou dentro dele esse berro?" (Domingos Oliveira). “Com fragmentos tais foi que escorei minhas ruínas” (T.S. Eliot, em “A Terra Desolada”).



Escrito por marcelo montenegro às 10h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog