ORFANATO PORTÁTIL - Marcelo Montenegro


HOJE

O espetáculo tá legal pra caramba, bonito, bastante engraçado na maior parte do tempo, mas – o Domingos é mestre nisso – com uma ponta de tristeza e humanidade comoventes em alguns momentos exatos. As meninas tão bem pra caralho em cena e minha amiga Fernanda D´Umbra, diretora da peça, soube muito bem levá-la pra bem longe dos lugares comuns – quem assistir vai sacar que o texto, e as situações, em si, quase pedem isso: facilidades e mão beijada –, com seus “tempos estranhos”, como ela mesma gosta de dizer, e com uma puta direção certeira. No Teatro Folha (Shopping Pátio Higienópolis), quartas e quintas, 21h.

 

AMANHÃ: PECHA KUCHA SP

Bela foto do meu amigo Edinho Kusaka

Paulo Scott explica: "Na programação está referido o horário 18 horas, acho meio cedo para São Paulo, mas sempre há esperança de lotar a sala de 247 lugares da Avenida Paulista 149, já que o evento é gratuito e a qualidade dos participantes inspira: Andrea Del Fuego (escritora - palestra ficcional feita pelo presidente de uma indústria de cosméticos); John Howard (grafiteiro - apresentação de portfólio de imagens digitais); Roberto Keppler (artista visual - apresentação de uma série de poemas visuais); Angelo Palumbo (artista visual / VJ - apresentação de um “projeto xamânico” de VJ); Dr. Wires (personagem fictício -”aula” sobre o fenômeno da emergência); Ronaldo Bressane (escritor - leitura de um capítulo do novo livro de ficção científica + imagens); Bruna Beber (escritora - conversa sobre movimentos essenciais do dia-a-dia que são atrapalhados pela urgência das burocracias e obrigações); Edson Kumasaka & Fernanda D’umbra (fotógrafo & atriz - leituras de textos produzidos a partir de fotos); Marion Velasquez (performer - apresentação de projeto com fotografias de São Paulo feitas das janelas rabiscadas de ônibus em deslocamento); Eloar Guazzelli (desenhista de HQ - imagens de conteúdo para celulares); Cláu Martin (webdesigner - apresentação da pesquisa “Um Mito Planetário: explorando a hipermídia”); Rafael Beznos (designer / artista visual - apresentação do projeto DreamLoading); Daniela Porto (comunicadora - apresentação sobre o conceito de Moblogging); Jesus de Paula Assis (jornalista - mostra interativa de prédios antigos de SP em 3D); Christine Engelberg (designer - apresentação do projeto gráfico da revista de entretenimento japonêsa Metropolis); Kiki Jaguaribe (performer - fotos de rodas gigantes ao redor do mundo); Eva Uviedo (artista gráfica - pensata sobre “as coisas”); Ana Paula Albé (fotógrafa / videomaker - performance fotográfica / Projeto Cabine); Rúbia Paião (atriz - performance sobre as emergências no relacionamento homem/mulher); Daniel Dias (programador - “Objetos Conectados”); Paulo Scott (escritor - leitura das intervenções apresentadas nos três dias de apresentações do PKN-SP)".



Escrito por marcelo montenegro às 14h59
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Quinta-feira desembarcamos no Rio – e uma garrafa de rum, e uma garrafa de rum, parafraseando o texto de apresentação do Mário para a primeira Mostra que fizemos no Teatro Ziembinski, na Tijuca, em 2005, inaugurando a direção do Roberto Alvim por ali com seu Centro de Referência de Dramaturgia Contemporânea. Sim, na Tijuca, onde posso simplesmente passar sem que ninguém entenda pela Haddock Lobo esquina com Matoso como um devoto confesso e perdido no tempo dos velhos Sputiniks.         

Antes, terça, 01/07, às 23h, em Curitiba, os brothers Rubens K – baixo – e Marcelinho Chytchy – bateria – acompanham o grande Rodrigão Garcia Lopes no Porão Loquax. Em SP, meu amigo-de-fé-meu-irmão-camarada Walter Batata Figueiredo prossegue com seu projeto de esquetes no Restaurante Namurana – Rua Pará, 196, às 21h (R$20 inteira e R$10 meia) – apresentando Esse nosso jeito diet de ser ao lado do Alessandro Robocop Bartel. Tem também Wilton Andrade e Marcos Arroba Amaral em Another Day, ambos os textos de Mário Bortolotto. No mais, Fabiano Almondegário Calixto e Joca Sorte & Azar Terron de volta aos blogs. Falando neles, segue imperdível a Semana Sebastião Nunes na Espelunca do Ademir Assunção. Vamo que vamo. 



Escrito por marcelo montenegro às 12h43
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RADIOCAOS

Já falei da RadioCaos aqui. Projeto e programa legais pra caramba. Pra quem está em Curitiba, rola na 91 Rock (91.3Mhz). Pra ouvir online é só entrar no site e clicar no dial da rádio. Todo domingo, das 19h às 21h, uma mistura de poesia e música boa, com um puta humor na edição e sem firulas na apresentação, que é do tipo Ramones: one two three four. 



Escrito por marcelo montenegro às 10h39
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COMO DIRIA PAULO SCOTT: VÁ

 

 

 

 

 

 

ÚLTIMA SEMANA

 

 

 



Escrito por marcelo montenegro às 12h12
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Escrito por marcelo montenegro às 12h37
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BILDUNGSROMAN

 

 

Renoir: "ser original é tentar ser

como os outros e não conseguir".

 

Fausto Fawcett: "todo jetson

tem um flintstone dentro de si".

Escrito por marcelo montenegro às 10h56
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Eu, o Mário Bortolotto e o Thales – figuraça e grande ator do grupo Armazém – passamos uma madrugada bebendo, conversando e jogando sinuca no bar do Jota em Londrina durante nossa estada no FILO. Tinha uma TV pequena num desses suportes de parede sintonizada numa luta, sei lá, de jiu-jítsu. O Thales comentou indignado que tinha assistido a uma matéria uns dias antes sobre moleques de 3, 4 anos em escolinhas de vale-tudo, competições com pais e mães orgulhosos na platéia torcendo, vibrando, filmando, batendo fotos. Contei de um aniversário de criança que fui certa vez bem na época do estouro do axé, essas merdas, com menininhas de 3, 4 anos dançando na boquinha da garrafa. Alguém botou um casco de cerveja no meio do quintal, a mesma história: mães fotografando, incentivando, “olha que gracinha”. Na Rolling Stone desse mês um dos caras do NX-Zero, respondendo a uma pergunta da repórter se eles não se incomodavam com a crítica, diz: “O Wander Wildner, por exemplo, a crítica ama, todo mundo fala bem. Aí você vai num show dele na Augusta e tem 25 pessoas no máximo”. Não lembro que jogador que um tempo atrás disse não saber e que nem precisava saber nada de 1958. Caralho. Na mesma Rolling Stone o Bukowski diz que “sempre atraía o idiota da escola. Todo mundo sabe quem é: o cara fodido e vesgo, que usava as roupas erradas e sempre pisava na merda. Eu também desprezava esse cara, mas alguma coisa sempre acontecia e ele acabava virando meu amigo”. Acontecia isso comigo. Com a diferença que eu atraía as extremidades: o mais idiota e o mais doido. Invejava um pouco a liberdade e o desprendimento deste e sentia um misto de raiva e profunda comoção com a inadequação do outro que, no fundo, era a minha. Acho que desde lá intuía que de alguma forma o mais doido em dois segundos vira um idiota e o idiota não precisa de muito esforço pra parecer o mais doido. Mas o problema sempre foi a, vamos chamar assim, normalidade. Essa que acha perfeitamente natural essa coisa assustadora de meninas e meninos dançando na boquinha da garrafa ou esmurrando o “inimiguinho” pela vitória. O grande Roberto Piva dizia isso lá atrás: entramos na época da barbárie da normalidade. O que são esses meninos que levam metralhadoras na lancheira, esse casal que atirou a filha pela janela e sua respectiva audiência, essas sub-celebridades siliconadas? Pessoas normais, que dão bom dia no elevador. O Marião comentou no atirenodramaturgo sobre o hotel 5 estrelas que estávamos em Brasília semana passada – abraço Andrezão! –, por conta da apresentação do Natimorto no Espaço Brasil Telecom. Na piscina tocava alto, altíssimo, Ivete Sangalo. Como diz o Mirisola, no entanto, “a panaquice não tem geografia”. Por exemplo: a tia da minha mulher tem uma quitinete na Praia Grande. Fomos no ano passado. Dia de semana, quase ninguém na praia, do jeito que eu gosto. Só que mesmo assim as barracas ficam tocando essas coisas num volume indecente. Gonçalo M. Tavares: “Cada povo tem direito à sua música e ao silêncio. Tem direito a decidir de que modo quer interromper o silêncio. Direito a escolher quais sons quer: que palavra e que nota musical. Mas, repara: não há silêncios populares. Como isso assusta”. Nunca vou esquecer do Chacal, numa mesa de discussão que participamos juntos, dizendo que tava pensando em criar um curso de “desqualificação profissional”. E as “tias” das categorias de base da vida como se não bastasse o massacre diário botam Xuxa e congêneres pras crianças ouvirem na escola. Na ESCOLA. Óbvio que é enorme a probabilidade de sair daí um bando de Lulinhas, Cacás, NX-Zeros, mulheres que chamam pessoas de "fofas" e toda sorte de profissionais exemplares – não importa a área – com chuteiras cor de abóbora achando que jogam mais do que jogam. Tem também a normalidade “de esquerda” e essa praga “politicamente correta”. Um bando de Arnaldos Jabores, como escreveu o Nelson Rodrigues sobre a passeata dos 100 mil, gritando “abaixo a fome chupando um sorvete de duas bolas”. Lembro quando estreou o filme dos filhos de Francisco. Numa rodinha qualquer da “intelligentsia”, uma mulher tenta me puxar pra discussão e pergunta se assisti. Falei que não e nem ia. Adivinhe o que ela disse?, lógico: preconceito. Puta, que saco. Ainda tive paciência de responder: não, minha filha, isso é CONCEITO.

 

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Baudelaire: “o homem, isto é, cada um de nós, é tão naturalmente depravado que lhe custa menos suportar o rebaixamento universal do que estabelecer uma hierarquia justa”. Salve Wander Wildner e Maradona. Viva a meia dúzia de gatos pingados que em 80 e poucos estava comigo num show do Itamar Assumpção que mudou minha vida, pessoas que não se conformam, três camaradas batendo uma sinuca de madrugada em qualquer biboca do mundo estudando outras jogadas. Viva Tim Maia. Vale tudo o caralho.



Escrito por marcelo montenegro às 11h31
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Escrito por marcelo montenegro às 09h55
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Escrito por marcelo montenegro às 12h51
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GONZO MOVIE

Não tinha visto ainda o trailer do documentário sobre o Hunter Thompson, Gonzo: the life and work of Dr. Hunter S. Thompson. Legal pra caramba. Edição esperta, depoimentos bacanas entre admiradores, detratores e entusiastas inclusive mr. Johnny “Las Vegas na Cabeça” Deep, enfim, mó fissura de ver o filme. Dica do brother Reuben da Cunha



Escrito por marcelo montenegro às 18h09
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"Em meio a válvulas, stents, desfibriladores e engenhocas do gênero, o Homem Comum vai levando sua carcaça rumo ao inexorável final da picada. O livro todo é um contraponto entre o homem que foi e aquilo em que se transformou: de certo modo, o Homem Comum chega à conclusão de que suas escolhas erradas não poderiam ter sido outras, foi o que ele conseguiu fazer da vida –  isto é, suas asneiras e seu apodrecimento são inalienáveis, levam assinatura. Não podia ser de outro jeito". > Trecho da crônica do Marcelo Mirisola desta semana no Congresso em Foco, sobre Um Homem Comum, do Philip Roth.



Escrito por marcelo montenegro às 15h26
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Hoje, no Teatro Folha (Shopping Pátio Higienópolis) tem Confissões das Mulheres de 30 (quartas e quintas às 21h), do grande Domingos Oliveira com direção de Fernanda D´Umbra. Amanhã estréia nova temporada de O Natimorto – Um Musical Silencioso, no Teatro Aliança Francesa (R. General Jardim, 182 – Centro – SP). Vai ficar de quintas e sextas, às 21h30. Às quintas, 21h, A Festa de Abigaiu continua no Procópio Ferreira. E sexta começa a penúltima semana de Rolex, o Anti-Velox, na Sala Mirian Muniz do Teatro Ruth Escobar (R. dos Ingleses, 209).



Escrito por marcelo montenegro às 15h20
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Pra quem conhece nem precisa dizer: boas pra caramba as Coyotes recém saídas do forno e editadas por Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Pra quem não conhece, corre atrás. É uma das melhores publicações do Brasil. Essa aí é o n. 17 com capa - e outros desenhos fudidos lá dentro - do brother Carlos Carah. Dá pra encomendar no Sebo do Bac. 



Escrito por marcelo montenegro às 15h08
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SÁBADO

 

Como disse o Joca num comment aí embaixo, ultimamente quem vem aqui tem dado de cara com um monte de revólver, hehe. Agora é do brother Ricardo Carlaccio, que lança seu livro novo, A última ficha na Jukebox, sábado, no Cidadão do Mundo, na 4.a. edição CIDADÃO ARTE CLUBE. O Mirisola também tará por lá lançando seu Proibidão, editado pela Demônio Negro. Vai rolar também a exibição dos curtas Assalto de Diomedio Piskator e A Decadência do céu e a Beleza do inferno, de MaickNuclear. Pra fechar, Show Experimento PROSOTYPO – Coletivo Poesia MaloqueiristaCaco Pontes, Berimba, MaickNuclear e Bebeto Cica´s. A entrada é R$5,00 e o Cidadão do Mundo fica na rua Rio Grande do Sul, 73, Centro, São Caetano do Sul



Escrito por marcelo montenegro às 08h39
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NO MAIS

Sem tempo, cansado, tudo certo. Podia contar um milhão de coisas dessa passagem por Londrina. Do Mauricio Arruda Mendonça, no meio de um debate do Armazém, ao me descobrir na platéia, comentando minha barba branca com uma mímica. Devolvo outra descrevendo sua cabeça também toda ocupada pelos cabelos brancos. Ele, grande amigo, grande escritor e dramaturgo do grupo, na mesa. Eu, no fundão, entre uma conversa com outro grande brother e poeta, Marcos Losnak, e um cigarro lá fora, esperando acabar o debate pra dar um abraço nele. Bernardo e Maria Angélica: vocês têm algum tipo muito poderoso de humanidade e a Dodó tá indo pelo mesmo caminho, o dela. Já sabia disso desde os tempos de Cão sem Dono naquela Vila Madalena antiga, mas, como diria Galvão, a “lei natural dos encontros” desta vez reforçou tudo de um modo muito fudido. Acabou Chapa Quente na terça e fui direto pra rodoviária. O sono e o cansaço monstruoso não deram nenhuma chance d´eu tentar gostar do novo do Radiohead. Ontem mais um dia inteiro dentro de um teatro. Bate uma saudade danada dos meus filhos embora, quando os revejo, a sensação é de que eu não consigo traduzir direito essa coisa enorme pra eles. E o amor se mistura aqui dentro com alguma modalidade de tristeza, que na real nem sei se é tristeza, de um jeito bom, ruim, inexplicável. No fim da peça de ontem, a Fernanda D´Umbra, emocionada, disse pro Domingos Oliveira, que subiu ao palco, o quanto o admirava e que jamais esperava um dia tê-lo na platéia de uma peça sua, quanto mais de uma peça dele dirigida por ela. Amanhã caio pra Brasília logo cedo com o Natimorto do Mutarelli. Vou lotar o MP3 de Nat King Cole e Roy Orbinson, acho que já passei da fase de dar chances. Um trecho de “Um homem: Klaus Klump”, do Gonçalo Tavares, que matei no avião indo pra Londrina: “Nos momentos importantes ser-se mais revelado por uma linguagem que não nos pertence em exclusivo, e que é propriedade, desde há milhões de anos, da natureza: como tal facto parecia estranho a Klaus...”. Tem aquele lance do Itamar Assumpção: “descobri que viver cansa mesmo vivendo na França/ mesmo indo de avião”, mas a sensação de fazer bem o que tem que ser feito é do caralho. E, Fernanda, nunca imaginei, também, que um dia meu nome e o do Domingos fossem parar na mesma ficha técnica. Não tenho tido tempo nenhum pra poesia, foda-se, ela sai daqui. No mais, amo minha mulher, odeio barra de cereais, sou péssimo anfitrião de mim mesmo, acho que duchas de hotel estão entre as maiores invenções da humanidade e que “We can work it out” com o Stevie Wonder é tão bom quanto com os Beatles.

Escrito por marcelo montenegro às 14h11
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